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XI Scientex começou ontem (26) com palestra sobre Inclusão na Universidade

Evento tem mais de 3 mil inscritos e apresenta trabalhos de ensino, pesquisa e extensão realizados pela comunidade acadêmica

publicado: 27/11/2018 17h51 última modificação: 27/11/2018 17h51
Renata Freitas
Exibir carrossel de imagens XI Scientex apresenta trabalhos de ensino, pesquisa e extensão realizados pela comunidade acadêmica.

XI Scientex apresenta trabalhos de ensino, pesquisa e extensão realizados pela comunidade acadêmica.

A XI Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Scientex) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) começou ontem (26) com uma provocadora palestra de abertura, ministrada pelo médico endocrinologista Ricardo Ayello. Na plateia do Complexo Multieventos, no Campus Juazeiro, onde acontece a Scientex, estudantes, docentes e técnicos administrativos da Univasf ouviram atentamente as palavras do palestrante, que é cego e falou sobre sua trajetória de vida, as limitações impostas pela deficiência e a importância da inclusão de pessoas com deficiência na vida em sociedade.

Médico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em Ciências da Saúde pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ayello foi diagnosticado na infância com retinose pigmentar congênita e conviveu com a baixa visão durante boa parte de sua vida, inclusive durante o período de formação profissional. “Sempre gostei muito de estudar. Estudava seis horas por dia. Acredito que é pelo estudo que a gente consegue se ajudar e ajudar os outros”, contou.

Para ele, foi difícil lidar com a deficiência visual, especialmente na adolescência, numa época em que a aceitação da sociedade em relação às pessoas com deficiência era menor. “É preciso encarar a deficiência de forma mais séria, humana e receptiva”, disse. O sucesso na escolha profissional e na carreira, além de seu próprio esforço e dedicação, ele atribui ao incentivo da família e dos amigos. O endocrinologista, que trabalha no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE) e no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), em São Paulo, quase desistiu da medicina quando estava na metade do curso, mas contou com amigos que o ajudaram a superar as dificuldades.

O mundo evoluiu e as tecnologias assistivas também. Mas Ayello frisa que ainda é preciso mudar alguns conceitos. “A sociedade precisa permitir a entrada das pessoas com deficiência no mercado de trabalho e a inserção na universidade. A deficiência é uma característica e não uma incapacidade. Só vocês vão mudar esse raciocínio”, frisou, referindo-se à comunidade acadêmica.

A “Inclusão na Universidade – Uma Realidade”, tema abordado pelo palestrante, é também a temática central desta Scientex, que tem 3.150 participantes inscritos, dos quais 2,8 mil são estudantes de todos os campi da instituição. Nesta edição da Scientex, que será realizada até quinta-feira (29), serão apresentados 383 trabalhos, nas modalidades oral e pôster. Haverá também a realização de 39 oficinas e 26 minicursos.

O dia de hoje (27) foi marcado pela realização da mesa redonda sobre Assédio no Ambiente Universitário, do Seminário de acompanhamento dos cursos de pós-graduação, da exposição do Grupo PET - Saneamento Básico: uma linha temporal de ações e desenvolvimento e pela apresentação de trabalhos.

As estudantes Amanda Nascimento e Elionaide Pereira, do 3º período de Engenharia  Agrícola e Ambiental e bolsistas do PET-Saneamento Básico, coordenado pela professora Miriam Cleide, participaram da exposição no Hall de entrada do Complexo Multieventos. Elas apresentaram ao público diferentes formas de tratamento de água, utilizando entre outros elementos a semente da moringa.

Estudante do 7º período de Ecologia no Campus Senhor do Bonfim, Yasmim Soares já participou de outras edição da Scientex. Mas esta é a primeira em que ela apresentou um trabalho. “Meu trabalho é sobre a fauna pretérita no sertão baiano: Novos fósseis na Bacia sedimentar do Tucano. Encontramos nas localidades de Euclides da Cunha, Tucano e Araci vários matérias, folheios de peixe, dentes de crocodilos, pequenos invertebrados, escamas e outros sedimentos”, contou. Na opinião dela, o evento é importante para a comunidade conhecer os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes da Univasf.

A troca de conhecimentos que a Scientex possibilita foi destacada pelo estudante de Zootecnia Elves Oliveira da Silva, que está no 8º período do curso. Para ele, esta é uma das grandes contribuições do evento para os participantes. Silva apresenta nesta edição as atividades que desenvolve como monitor de ensino. “Vou apresentar o projeto de nutrição e alimentação animal e falar sobre as disciplinas que o projeto abrange, metodologia e resultados”, disse.

A XI Scientex continua durante todo o dia de amanhã e quinta-feira com uma vasta programação. As atividades são abertas a toda a comunidade. A programação detalhada está disponível no site do evento.

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