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Dissertação de mestrado investigou a resiliência e percepção do desempenho esportivo de atletas brasileiros de canoagem paralímpica
Defesa da dissertação da Juliana Rodrigues Ferreira Andrade

Juliana Rodrigues Ferreira Andrade defendeu a sua dissertação intitulada "Análise da resiliência e percepção do desempenho esportivo de atletas brasileiros de canoagem paralímpica". O trabalho foi apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), sob orientação do Prof. Dr. Leonardo Gasques Trevisan Costa, e avaliado por banca composta pela Profa. Dra. Erika Hofling Epiphanio e pelo Prof. Dr. Jose Roberto Andrade do Nascimento Junior.
A pesquisa nasceu de uma pergunta simples, mas ainda pouco explorada na literatura: além do treino físico, técnico e tático, o que se passa na cabeça de um atleta paralímpico diante das pressões de uma competição de alto rendimento?
Para responder a isso, Juliana ouviu 40 atletas brasileiros de canoagem paralímpica durante o Campeonato Brasileiro de Paracanoagem de 2023, usando duas ferramentas consagradas na psicologia do esporte: uma escala de resiliência esportiva e um questionário de percepção de rendimento.
Os resultados mostram um grupo de atletas que se percebe resiliente e confiante, independentemente de ser medalhista ou não, de gênero ou de classe funcional, reforçando que a força mental no esporte paralímpico não depende só do resultado no pódio. Chamou atenção especialmente a forma como dimensões como experiência esportiva, espiritualidade e apoio social apareceram fortemente associadas à percepção de bom desempenho, sugerindo que o atleta rende melhor quando se sente valorizado e apoiado, seja pela família, pelos colegas de equipe ou pela própria fé.
A autora destaca os pontos fortes do seu trabalho: os instrumentos utilizados são de fácil aplicação, baixo custo e podem ser usados em larga escala por outros pesquisadores, o que amplia o potencial de réplica do estudo em outros contextos esportivos. Além disso, a pesquisa avança justamente em um território pouco explorado pela literatura.
Entender que resiliência e percepção de desempenho estão tão ligadas ao sentimento de pertencimento, ao apoio da família e do clube e à valorização do próprio potencial evolutivo é também uma forma de lembrar que o esporte paralímpico não deveria ser avaliado apenas pelo número de medalhas, mas pelo que ele representa na vida de quem pratica.
Ao produzir conhecimento sobre esses aspectos psicossociais, o trabalho de Juliana oferece subsídios concretos para que treinadores, psicólogos do esporte e gestores possam cuidar melhor da saúde mental dos atletas que atendem, reconhecendo que o desempenho esportivo de pessoas com deficiência se constrói tanto dentro quanto fora da água.