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Teses

por Carlos Dornels Freire De Souza publicado 08/10/2024 18h21, última modificação 20/06/2026 11h34

DETERMINAÇÃO DA PREVALÊNCIA DE PATÓGENOS RESPIRATÓRIOS E SUA RELAÇÃO COM MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EM MUNICÍPIOS DO SERTÃO PERNAMBUCANO

Autoria: 
Sávio Luiz Pereira Nunes 
Tipo de Trabalho de Conclusão:
Tese
Programa de Pós-graduação:
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA MOLECULAR E MOLECULAR APLICADA
Instituição: 
Universidade de Pernambuco - UPE
Orientador:
Prof. Dr. Rodrigo Feliciano do Carmo
Coorientador
Prof. Dr. Carlos Dornels Freire de Souza
Resumo:
As infecções respiratórias representam carga significativa na morbimortalidade em países de baixa e média renda, especialmente em crianças. Dessa forma, analisar a prevalência e as características clínicas associadas aos patógenos respiratórios serve como base para tomada de decisões de saúde pública. Assim, esta tese investigou, em três estudos transversais, a prevalência de patógenos respiratórios e variantes de preocupação do SARS-CoV-2 e sua relação com manifestações clínicas em infecção respiratória aguda grave (SARI) e Doença do Coronavírus 2019 (COVID-19), respectivamente, em sete municípios do sertão pernambucano, Nordeste do Brasil. Nos três estudos, o material genético foi obtido a partir de amostras de swab nasofaríngeo utilizando extrator automatizado. Em seguida, a detecção de 22 patógenos respiratórios foi realizada por meio de RT-PCR em tempo real utilizando sondas de hidrólise. Os dados clínicos e sociodemográficos foram obtidos a partir da Ficha de Notificação de Síndrome Gripal e da Ficha de Investigação de Síndrome Respiratória Aguda Grave do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe). As análises estatísticas foram realizadas em softwares, como R, IBM SPSS Statistics e JASP. No primeiro estudo, entre 2022 e 2023, em 326 casos pediátricos e adultos de SARI, verificou-se maior frequência de Outros Patógenos Respiratórios (ORP) (80,37%), subdivididos em detecção única por amostra (39,88%) e codetecção de pelo menos dois patógenos por amostra (40,49%), em comparação com SARS-CoV-2 (9,50%). No grupo ORP, rinovírus (RV) (25,11%) e vírus sincicial respiratório A e B (RSV) (19,91%) foram os agentes mais prevalentes, sobretudo em crianças, e a análise de regressão logística múltipla mostrou que a febre se associou a maior chance de codetecção (OR = 2,054; IC 95% = 1,048 - 4,026; p = 0,036), enquanto o vômito esteve associado a menor chance de codetecção (OR = 0,323; IC 95% = 0,141 – 0,741; p = 0,008). No segundo estudo, foram analisadas 316 amostras de sujeitos com COVID-19 (157 Delta e 159 Omicron), entre agosto de 2021 e março de 2022. Identificou-se alta prevalência de coriza, perda do olfato e paladar, cefaleia e mialgia nos casos da Delta (p < 0,05), sem diferença significativa na carga viral entre as variantes. A Omicron exibiu associação com a forma assintomática da doença (p = 0,003). O terceiro estudo analisou um surto de SARI em crianças de até cinco anos de idade, entre as semanas epidemiológicas 11 e 21 de 2024. RSV (32,21%) e bocavírus humano (HBoV, 23,43%) foram identificados como os principais agentes. Em conjunto, os resultados evidenciam que a carga de SARI no sertão pernambucano é fortemente determinada por vírus respiratórios de relevância global, em um cenário de codetecções e sinais clínicos heterogêneos, e que a emergência de variantes do SARS-CoV-2, como a Omicron, altera o perfil clínico da COVID-19 sem impacto significativo na carga viral. Os achados destacam a necessidade de vigilância epidemiológica e laboratorial contínua e de estratégias de manejo e controle direcionadas a patógenos respiratórios e grupos etários específicos. Além disso, os resultados contribuírem para melhorias no diagnóstico e prognóstico das infecções respiratórias e servem como base para tomada de decisões de saúde pública, como auxílio à organização da rede assistencial, ajuste de medidas de tratamento e controle, bem como a atualização de vacinas, especialmente nas populações mais suscetíveis.
Palavras-chave: infecções respiratórias; síndrome respiratória aguda grave; coronavírus relacionado à síndrome respiratória aguda grave; rhinovirus; vírus sincicial respiratório humano.

 

ABORDAGEM TEMPORAL E DINÂMICA ESPACIAL DAS INCAPACIDADES FÍSICAS CAUSADAS PELA HANSENÍASE NO BRASIL (2001-2022): UM ESTUDO ECOLÓGICO DE BASE POPULACIONAL

Autora:
THAIS SILVA MATOS
Tipo de Trabalho de Conclusão:
Tese
Programa de Pós-graduação:
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM REABILITAÇÃO E DESEMPENHO FUNCIONAL
Instituição: 
Universidade de Pernambuco - UPE
Orientador:
Prof. Dr. Tarcísio Fulgêncio Alves da Silva
Coorientador
Prof. Dr. Carlos Dornels Freire de Souza
Resumo:
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, com alto potencial incapacitante quando não tratada, podendo ocasionar alterações funcionais e incapacidades físicas. O Brasil é o único país que ainda busca a meta de eliminação da doença enquanto problema de saúde pública, fato que se torna mais desafiador pela limitação de conhecimento da dinâmica da doença no território brasileiro. Desse modo, este trabalho teve como objetivo analisar a evolução temporal e distribuição espacial, dos indicadores epidemiológicos relacionados às incapacidades físicas grau dois em decorrência da hanseníase no Brasil. Estudo ecológico, de base população com o uso de dados sobre incapacidades físicas grau dois causadas pela hanseníase em todo o Brasil. A população foi composta por todos os casos novos de hanseníase diagnosticados e notificados em residentes do Brasil entre os anos de 2001 e 2022. Foram selecionados cinco indicadores epidemiológicos de incapacidades físicas da hanseníase para composição das variáveis: 1. Taxa de casos novos de hanseníase com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico por 1 milhão de habitantes; 2. Proporção de casos de hanseníase com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico entre os casos novos detectados e avaliados no ano; 3. Proporção de casos de hanseníase curados com grau 2 de incapacidade física entre os casos avaliados no momento da alta por cura no ano; 4. Proporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico; 5. Proporção de casos curados no ano com grau de incapacidade física avaliado entre os casos novos de hanseníase no período das coortes. Na etapa 1, análise temporal - foi utilizado o modelo de regressão por pontos de inflexão. Calculado o Percentual de incremento anual (APC) e Média de variação percentual anual (AAPC). Para cada tendência detectada foi considerado o Intervalo de Confiança de 95% (IC 95%) e nível de significância de 5%. Na etapa 2, análise espacial dos indicadores – foi conduzida a análise espacial dos indicadores epidemiológicos incluídos no estudo. Em seguida, para a análise da dinâmica espacial foi utilizada a estatística de Moran global e local e Valor de P. Os resultados foram divididos em três artigos científicos: Resultado 1. Foram registrados 50.466 casos novos de hanseníase com GIF2 no período estudado, sendo 97,4% com idade >14 anos, 70,2% do sexo masculino, 45,7% pardos, 87,6% com baixa escolaridade, 90,2% multibacilares e 47,5% forma clínica dimorfa. Observou-se tendência decrescente na detecção de hanseníase com grau de incapacidade física 2, com redução anual média de 2,8%. As regiões Sudeste, Sul e Norte apresentaram tendência decrescente, 14 estados e 4 capitais apresentaram declínio da taxa. 635 (14,1%) municípios situaram-se no quadrante de maior risco. Resultado 2. A qualidade dos serviços de hanseníase no diagnostico, mostrou que o Brasil e as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul mantiveram-se qualidade regular e tendência estacionária. A região Norte apresentou qualidade boa e tendência estacionária. O Nordeste apresentou qualidade regular com tendência de queda. Na efetividade das atividades de detecção oportuna de hanseníase, o Brasil (AAPC: 2,9) e as regiões Norte (AAPC: 4,2), Nordeste (AAPC: 2,8), Centro-Oeste (AAPC: 3,9), Sudeste (AAPC: 3,3) e Sul (AAPC: 1,9) apresentaram tendência de crescimento. O indicador nacional e das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram classificados como médio. As regiões Sul e Sudeste tiveram parâmetro alto. Quanto à proporção de grau 2 de incapacidade física no diagnóstico, houve tendência crescente em 22 estados, com destaque para Santa Catarina (AAPC: 6,2) e Espírito Santo (AAPC: 5,4). Resultado 3. A avaliação do Grau de Incapacidade Física na cura, apresentaram padrão estacionário no Brasil e em todas as regiões. O desempenho foi considerado ruim no Brasil (67,1%), e nas regiões nordeste (60,0%), e centro-oeste (69,3%) e sul (72,9). O Sudeste (76,7%), apresentou desempenho regular. Alagoas (AAPC1,7%), Mato Grosso (AAPC 3,4%) e Rio Grande do Sul (AAPC 6,9%) apresentaram tendência de crescimento. Acre (AAPC -2,6%) e Amazonas (AAPC -2,1%) tiveram tendencia de queda. Na proporção de grau 2 de incapacidade física na cura, o Brasil (AAPC 6,6%) e a região Sudeste (AAPC 7,1%) apresentaram padrão de crescimento. As regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, além de 21 estados, apresentaram tendência estacionário. Seis estados apresentam tendência de crescimento: Bahia (AAPC 10,4%), Distrito Federal (AAPC 11,6%), Espírito Santo (AAPC 7,8%), São Paulo (AAPC 13,3%), Santa Catarina (AAPC 14,2%) e Rio Grande do Sul (AAPC 14,9%). Entre 2016 e 2021, houve redução dos estados com menores proporções de GIF2 e aumento no número de estados com proporção de GIF2 ≥10% no momento da cura. Os indicadores epidemiológicos sinalizaram a necessidade de implementação de medidas para melhorar a qualidade e efetividade dos serviços de hanseníase no diagnóstico e na cura. Foi observado desigualdade espacial na ocorrência de incapacidades grau 2 por hanseníase, o que pode ter relação com os diferentes serviços entre as regiões de saúde e com a implementação de ações de controle da doença, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento oportunos.
Palavras-chave:
doença de Hansen; pessoas com deficiência; geoprocessamento; fatores geográficos.

 

PREVALÊNCIA DE DOENÇA CARDÍACA SUBCLÍNICA, PERFIL DOS BIOMARCADORES CARDÍACOS E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS EM UMA POPULAÇÃO INDÍGENA NO NORDESTE BRASILEIRO, EXPOSTA À DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA
Autor:
JANDIR MENDONÇA NICACIO
Tipo de Trabalho de Conclusão:
Tese
Programa de Pós-graduação:
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA HUMANA E GESTÃO SOCIOAMBIENTAL
Instituição: 
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
Orientador:
Prof. Dr. Anderson da Costa Armstrong
Coorientador
Prof. Dr. Carlos Dornels Freire de Souza
Resumo:
As doenças cardiovasculares representam um dos maiores desafios de saúde pública global, especialmente em populações negligenciadas, como as comunidades indígenas. A urbanização crescente e as recorrentes epidemias de arboviroses têm agravado esse cenário. No entanto, a literatura é escassa em relação à saúde cardiovascular dessas populações no contexto das arboviroses clássicas (dengue, chikungunya e Zika). Esta tese, parte do "Projeto de Aterosclerose em Indígenas", investigou a prevalência de doença cardíaca subclínica, dinâmicas dos biomarcadores cardíacos e fatores associados em uma comunidade indígena do Nordeste brasileiro exposta dengue, chikungunya e Zika. Trata-se de um estudo com métodos mistos, realizada em três etapas. Etapa 1: Revisão sistemática foi conduzida para avaliar as complicações cardíacas associadas às arboviroses. Foram incluídos 42 estudos, totalizando 76.678 indivíduos expostos às arboviroses, dos quais 27,21% dos casos com dengue e 32,81% daqueles com chikungunya apresentaram complicações cardíacas. A miocardite foi identificada em quase 11% dos casos de dengue, com maior incidência em jovens (< 20 anos), reforçando o impacto cardiovascular das arboviroses. Etapa 2: Foi conduzido estudo com a população Fulni-ô, envolvendo 174 indígenas, onde se investigou a relação entre biomarcadores inflamatórios e cardíacos na população exposta às arboviroses. Os resultados mostraram que a cardiotrofina e a LDH B estavam associadas à exposição aguda ao vírus chikungunya, enquanto o Big-ET1 e a LDH B foram correlacionados à exposição prévia. Estes biomarcadores permaneceram significativos em modelos de regressão logística, sugerindo um papel potencial na lesão celular e inflamação causadas pela chikungunya. Etapa 3: Foi conduzido um estudo transversal com 174 indígenas Fulni-ô onde se avaliou a presença de disfunção cardíaca subclínica através do "Strain Longitudinal Global" (GLS) usando a técnica de Speckle-Tracking Ecocardiography. Observou-se, 48,3% da população apresentou comprometimento cardíaco subclínico, juntamente com altas taxas de exposição prévia às arboviroses (Dengue IgG: 85,8%, Chikungunya IgG: 70,9%, Zika IgG: 95,3%), mas baixa exposição recente (IgM < 13%). No entanto, não foi encontrada associação significativa entre o comprometimento cardíaco e evidência sorológica de exposição aos arbovírus, sugerindo que a baixa taxa de infecção aguda pode ter influenciado esses achados. Etapa 4: Para fechamento desta tese, conduzimos um relato de experiência crítico-reflexivo cujo objetivo foi relatar o uso de uma rede digital (Research Electronic Data Capture -REDCap) para gerenciamento e utilização das informações clínico-antropométricas e de exames, nas atividades de campo, em uma comunidade indígena no Nordeste do Brasil, sob a ótica de estudantes e agentes comunitários de saúde. Observou-se predominância de aspectos positivos (43,41%), seguidos por limitações (15,1%) e experiências pessoais favoráveis (14,34%). De modo geral, as intervenções conduzidas nas comunidades indígenas não apenas geraram impactos positivos para a própria comunidade, mas também proporcionaram um aprimoramento significativo aos membros da equipe Apesar de não identificar uma associação direta entre a doença cardíaca subclínica e a exposição às arboviroses, os achados revelam uma preocupante prevalência de disfunção miocárdica em uma população com altas taxas de exposição prévia. Esses resultados destacam a necessidade de mais estudos sobre a interação entre doenças cardiovasculares, arboviroses e fatores como a urbanização e características antropométricas, visando contribuir para políticas de saúde voltadas a populações indígenas vulneráveis. Palavras-chave: doença cardíaca subclínica, arboviroses, população indígena, strain longitudinal global, biomarcadores cardíacos, tecnologia digital

 

PREVALÊNCIA E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À DOENÇA RENAL CRÔNICA EM DUAS COMUNIDADES INDÍGENAS DO NORDESTE BRASILEIRO
Autor:
ORLANDO VIEIRA GOMES
Tipo de Trabalho de Conclusão:
Tese
Programa de Pós-graduação:
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA HUMANA E GESTÃO SOCIOAMBIENTAL
Instituição: 
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
Orientador:
Prof. Dr. Anderson da Costa Armstrong
Coorientador
Prof. Dr. Carlos Dornels Freire de Souza
Resumo:
A doença renal crônica (DRC) é um sério problema de saúde global, especialmente em países com recursos limitados. As populações indígenas têm sido particularmente afetadas, enfrentando maior morbidade e mortalidade em idades mais jovens. Esta tese teve como objetivo descrever a prevalência de DRC e analisar os fatores de risco associados em duas etnias indígenas brasileiras do Vale do São Francisco, região Nordeste do Brasil: Truká (mais urbanizada) e Fulni-ô (menos urbanizada). A tese é produto de um projeto intitulado “Projeto de Aterosclerose em Indígenas” que foi realizado em duas etapas distintas. A primeira etapa ocorreu entre 2016 e 2017 e envolveu a análise de indivíduos de 30 a 70 anos de idade de ambas as etnias. Na segunda etapa do projeto, que ocorreu entre 2020 e 2022, analisamos exclusivamente os dados dos indígenas da etnia Truká com idade igual ou superior a 18 anos. Nessa etapa, o estudo teve inicialmente como foco a população acima de 60 anos de idade. Posteriormente, o escopo foi ampliado para abranger toda a população indígena com idade acima de 18 anos. A participação em ambas as etapas foi voluntária, e o projeto adotou um desenho transversal para seus estudos. A DRC foi definida da seguinte forma: na primeira etapa, a DRC foi considerada quando a taxa de filtração glomerular estimada era < 60 mL/min/1,73m²; na segunda etapa, a DRC foi definida como taxa de filtração glomerular estimada < 60 mL/min/1,73m² ou relação albumina-creatinina urinária > 30mg/g. Os resultados mostraram maior prevalência de DRC na população mais urbanizada, com 6,2% no grupo Truká e 3,3% no grupo Fulni-ô na primeira etapa. Na segunda etapa do estudo, a prevalência da DRC na população indígena Truká com mais de 60 anos foi de 26,6%. A doença foi mais comum em mulheres e aumentou com o avançar da idade. Hipertensão e diabetes foram comorbidades frequentes, presentes em 67,7% e 24,0% dos casos de DRC nessa faixa etária específica, e estavam significativamente associadas à doença. Na análise posterior com 1.654 indígenas Truká acima de 18 anos, a prevalência de DRC foi de 10%. Na análise univariada dessa população, DRC foi mais comum em mulheres (12,4% vs. 6,9%, p <0,001), idosos (OR 4,6, IC 95% 3,2-6,6), indivíduos com doença cardiovascular (OR 2,1, IC 95% 1,1-4,1) e dislipidêmicos (OR 1,6, IC 95% 1,1-2,4). Na análise multivariada, utilizando o modelo de regressão logística de Bernoulli, idade acima de 60 anos, sexo feminino e dislipidemia permaneceram associados à DRC. Diabetes, hipertensão e obesidade não se associaram significativamente à DRC na população indígena acima de 18 anos. Esses resultados surpreendentes levantam questionamentos sobre possíveis causas da DRC em indígenas avaliados. A hipótese de uma forma específica de DRC, conhecida como 'doença renal crônica de causa desconhecida', pode ser um fator subjacente no desenvolvimento da doença nessa população. Atividades agrícolas em condições climáticas adversas, exposição a pesticidas e desvantagens socioeconômicas podem estar relacionadas ao surgimento dessa apresentação de DRC. A predisposição genética também pode influenciar nesse contexto. Os achados têm implicações significativas para a saúde pública e abrem novas perspectivas para estudos futuros. Propõe-se medidas culturalmente adaptadas, incluindo educação em saúde, saneamento, nutrição, respeito à cultura indígena, acesso equitativo à saúde, e incentivo à pesquisa, incluindo investigação genética e estudo histopatológico através de biópsia renal. Integrar essas propostas na formação acadêmica dos profissionais de saúde pode proporcionar cuidados sensíveis para todos, independentemente da origem étnica, resultando em benefícios significativos. Palavras-chave: povos indígenas, doença renal crônica, prevalência, fatores de risco.