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Professor da Univasf está pela quarta vez consecutiva entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo

por publicado: 15/10/2026 01h06 última modificação: 15/10/2026 01h18

O professor Carlos Dornels Freire de Souza, do Colegiado de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), voltou a figurar na lista dos 2% de pesquisadores mais influentes do mundo. O levantamento é feito pela Universidade de Stanford (EUA) em parceria com a editora científica Elsevier. Esta é a quarta edição consecutiva em que o nome do pesquisador aparece no ranking, uma das principais referências internacionais para medir o impacto da produção científica.

O estudo Updated science-wide author databases of standardized citation indicators analisa milhões de perfis de autores na base Scopus. Os cientistas são classificados por indicadores padronizados de citação, entre eles o índice h, o índice hm (ajustado por coautoria) e o c-score, um indicador composto que também considera a posição do pesquisador na autoria dos artigos. A lista é organizada em 22 grandes áreas e mais de 170 subáreas do conhecimento, o que permite comparar cada pesquisador com os colegas do próprio campo.

Trajetória

Carlos Dornels é fisioterapeuta, sanitarista, epidemiologista e estatístico. É doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Pernambuco (2018), mestre em Planejamento Territorial pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2015) e pós-doutor em Ecologia Humana pela Universidade do Estado da Bahia (2023). Também se especializou em Saúde Coletiva (UFBA), Análise de Situação de Saúde (UFG), Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Fiocruz) e Gestão em Saúde (Univasf).

Na Univasf, é professor adjunto em regime de dedicação exclusiva e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Ele implantou no Vale do São Francisco o Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde), do qual é coordenador institucional, e responde nacionalmente pela disciplina de Sistemas de Informação no Cuidado e na Gestão. Também é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e Biológicas (PPGCBS), nos níveis de mestrado e doutorado.

Ao longo da carreira, publicou 225 artigos completos em periódicos nacionais e internacionais, além de 4 livros e 30 capítulos de livros. Orientou ou coorientou 15 dissertações de mestrado e 4 teses de doutorado já concluídas e atualmente orienta 5 doutorandos. Também atua como editor associado do periódico BMC Public Health (Springer Nature) e foi membro da Comissão de Avaliação Quadrienal dos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva da Capes, em 2025.

 

Ciência voltada para o SUS

As pesquisas do professor tratam principalmente de doenças socialmente determinadas, como a hanseníase, de vigilância em saúde, de análise de situação de saúde e de modelagem de dados epidemiológicos para apoiar a tomada de decisão no SUS. Ele idealizou e coordena o Projeto OASIS – Observatório de Análise Situacional em Saúde, que já captou mais de R$ 1 milhão em financiamento de agências de fomento. O OASIS produz e divulga conhecimento científico e forma novas lideranças científicas.

O trabalho do pesquisador envolve parcerias com universidades e instituições de várias regiões do Brasil e com pesquisadores da Colômbia, de Portugal, dos Estados Unidos e de Angola. Com Angola, ele participa da cooperação para fortalecer a formação de profissionais de saúde. Em 2025, recebeu moção de aplausos da Câmara Municipal de Juazeiro (BA) pela dedicação à ciência.

“Nossa pesquisa sempre teve um propósito claro: produzir evidências que ajudem o SUS a enfrentar as doenças que mais atingem as populações vulneráveis, como a hanseníase e outras doenças socialmente determinadas. Ver esse trabalho reconhecido entre os mais citados do mundo é motivo de orgulho, mas o que mais importa é saber que esse conhecimento está chegando aos serviços de saúde e às pessoas”, destacou Carlos Dornels.

Ciência feita a partir do interior

Aparecer no ranking por quatro anos seguidos tem um peso a mais por se tratar de ciência produzida numa universidade do interior do Nordeste, longe dos centros tradicionais de pesquisa do país. O reconhecimento mostra que a pesquisa regional voltada às necessidades de saúde da população consegue visibilidade e impacto em escala global.

“Esse reconhecimento não é individual. Ele é fruto do trabalho de uma equipe: estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e parceiros de várias instituições que acreditam numa ciência comprometida com a realidade do nosso povo. Estar nessa lista pela quarta vez, fazendo pesquisa a partir do Sertão do São Francisco, mostra que a ciência pública brasileira tem qualidade e alcance internacional, e que o interior do Nordeste também produz conhecimento de ponta. Divido essa conquista com cada estudante que passou pelo nosso grupo e com a Univasf, que acredita na ciência feita no interior”, afirmou o professor.

 

Adeilton Júnior
Jornalista DRT 5037
ASCOM OASIS