Resumo:
Hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica, assintomática, multifatorial, que rompe a homeostase dos sistemas vasodilatadores e vasoconstrictores. Com as transformações socioeconômicas sofridas pelos indígenas, especialmente após incorporar costumes de sociedades não-indígenas, houve influência no seu perfil de saúde e doença, passando a haver uma tendência de aumento das doenças e agravos não transmissíveis, tais como, a HAS e obesidade. A presente pesquisa visou identificar os indivíduos hipertensos da tribo indígena Pankararé, bem como seus fatores de risco associado, em especial a obesidade. Realizou-se um estudo transversal, prospectivo e analítico na tribo indígena, com indivíduos de idade ≥18 anos. A pressão arterial (PA) foi aferida por duas vezes, com intervalo de sete dias, utilizando tensiômetro profissional. Indígenas que apresentaram PA sistólica ≥140mmHg e diastólica ≥90mmHg e/ou sob utilização de medicamento anti-hipertensivo, foram considerados hipertensos. Selecionou-se 234 indivíduos. Do total da amostra, 182 (77,7%) eram do sexo feminino e 52 (22,3%) eram do sexo masculino. A média de idade foi de 55 anos, sendo que para o sexo feminino obtivemos uma média de 56,8 e para o sexo masculino de 53,2 anos. Dos 34 hipertensos identificados na amostra, 19 (55,8%) eram do sexo feminino e 15 (44,2%) do sexo masculino. A prevalência de HAS foi de 14,5%. A média da pressão arterial sistólica (PAS) foi 121,2 e dp ± 12, sendo que o sexo feminino obteve média de 125,2 e dp ± 15 e para o masculino 117,3 e dp ± 9. A pressão arterial diastólica (PAD) teve média total de 73,3 e dp ± 4,4, sendo que no sexo feminino a média foi 76,3 e dp ± 7,7 e para o masculino a média 70,3 e dp +-1,2. A média total do índice cintura quadril (ICQ) foi 0,85 com desvio padrão (dp) de ± 0,10, sendo para o sexo masculino a média foi 0,94 e dp ± 0,18, e para o sexo feminino a média foi 0,82 e dp ± 0,04. O índice de massa corpórea (IMC) obteve uma média total 19,8 e dp ± 2,0, sendo a média do sexo feminino foi 20 e dp ± 1,7 e para o masculino a média obtida foi 19,6 e dp ± 2,9. A análise dos dados foi feita pela regressão linear múltipla para idade, índice cintura-quadril e índice de massa corpórea, com nível de confiança de 5%. Foi verificado que PAS e a PAD foram estatisticamente significativo com a idade, índice de massa corpórea e ICQ, para ambos os sexos. A caracterização da alimentação mostrou que 99% consumiam sal, 92% fazia uso diários de gordura industrial, 99% consumiam açúcar branco e apenas 28% conservavam o hábito de caçar e pescar. Como fator de risco associado, a obesidade revelou uma prevalência de 35,8%. Dessa forma, tanto a prevalência de hipertensão arterial sistêmica, quanto a de obesidade na tribo indígena Pankararé foi considerada elevada. Assim, é importante implantar medidas permanentes, como mudança no estilo de vida, alimentação saudável, exercício físico , além de promover estímulo ao resgaste das suas tradições indígenas, que conduzam a melhoria do estado de saúde.
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