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Estudantes do Mestrado em Psicologia da Univasf realizam pesquisa e intervenção social durante mobilidade acadêmica na Itália

publicado: 10/06/2026 11h41 última modificação: 10/06/2026 11h41


As estudantes desenvolvem atividades de pesquisa-ação relacionadas às temáticas de seus projetos de dissertação.

Estudantes do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) participam de uma mobilidade estudantil internacional realizada por meio da Secretaria de Relações Internacionais (SRI) da Univasf, em parceria com a Associação de Promoção Social EnARS, vinculada à Universidade de Pádua (UNIPD), na Itália, com o Centro de Pesquisa e Formação Permanente (BEA) de Petrolina, e financiada pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). As mestrandas Barbara Rodrigues Cazé e Ionara Vitória Carvalho do Nascimento estão na Itália como estagiárias no exterior, desenvolvendo atividades fundamentadas na abordagem da Aprendizagem Solidária.

Durante a mobilidade, as estudantes participam de seminários didáticos promovidos pela Universidade de Pádua por meio do programa de pesquisa e intercâmbio Intereurisland. A experiência integra as atividades de pesquisa-ação (estágio) relacionadas às temáticas de seus projetos de dissertação. As mestrandas estão no último mês do intercâmbio, que segue até 11 de julho. Em 24 de abril, elas apresentaram seus projetos na UNIPD. “Foi um desafio, porque não sabíamos a língua”, relatou Barbara.

A Aprendizagem Solidária, também conhecida como aprendizagem-serviço, é uma proposta pedagógica que articula o aprendizado acadêmico a ações práticas voltadas para a comunidade. A metodologia busca possibilitar que os estudantes apliquem conhecimentos teóricos na resolução de problemas reais, promovendo cidadania, responsabilidade social e empatia. No contexto da mobilidade internacional, essa abordagem tem sido desenvolvida por meio da interação com serviços de acolhimento e atenção psicossocial destinado a imigrantes e crianças em situação de vulnerabilidade social na Itália.

Barbara pesquisa questões de gênero e desenvolve um projeto de intervenção composto por sete encontros com mulheres imigrantes para discutir o significado de ser mulher em seus respectivos países. As participantes residem em uma instituição de acolhimento e, no grupo acompanhado pela estudante, há duas mulheres do Nepal e duas da Ucrânia. “Eu também tenho compartilhado como é ser mulher no meu país”, contou.

Já Ionara desenvolve, no Brasil, uma pesquisa sobre infância, utilizando jogos para promover habilidades socioemocionais, cognitivas e físicas em crianças. Na Itália, ela adaptou sua intervenção para o público adolescente, buscando compreender, por meio de jogos, como as habilidades socioemocionais são influenciadas pelo uso ativo ou passivo de telas entre filhos de imigrantes com idades entre 14 e 17 anos. Atualmente, a estudante realiza atividades semanais em duas cooperativas, onde acompanha e analisa o comportamento dos adolescentes participantes.

No início da mobilidade, para conseguir se comunicar com os voluntários italianos, as estudantes recorreram frequentemente a gestos enquanto aprendiam o idioma. “Foi uma mistura de várias coisas para conseguirmos nos comunicar. Primeiro houve uma comunicação muito gestual, junto com a comunicação verbal, buscando formas de sermos entendidas e também de transmitir o que queríamos dizer”, relata Barbara.

Em pouco tempo, Barbara e Ionara, que chegaram ao país com conhecimento básico da língua italiana, passaram a se comunicar com desenvoltura. “O pessoal diz que aprendemos muito rápido. Toda vez que falamos que estamos aqui há apenas dois meses, eles comentam: ‘Nossa, vocês aprenderam muito rápido, já entendem tudo isso?’”, conta Ionara.  

Para Barbara, o programa representa uma realização pessoal e acadêmica. “Eu me sinto conquistando um sonho, um sonho antigo de conhecer outra cultura, de passar um tempo vivendo em um lugar não apenas como turista”, afirmou.

Ionara destaca a oportunidade de vivenciar diferentes culturas e ampliar seus conhecimentos. “Aqui estou aprendendo onde posso melhorar na minha prática, mas também estou entendendo que o Brasil tem apresentado uma evolução educacional muito boa”, disse. A estudante ressalta ainda que um dos principais objetivos da Aprendizagem Solidária é promover uma troca mútua de saberes. “Eu acho que realmente trabalhamos nessa questão de ensinar e aprender”, completou.

O vínculo com a UNIPD vem sendo desenvolvido no âmbito do acordo de cooperação firmado entre a Univasf e a EnARS (Enzima Attivo per Reti di Significati), associação de promoção social sediada em Pádua, além das cooperativas sociais Porto Alegre, Peter Pan e Zico, localizadas em Rovigo, na Itália.

“O programa proporciona às discentes a oportunidade de contato direto com referenciais teórico-metodológicos, bem como com práticas de pesquisa e extensão desenvolvidas em contexto internacional, favorecendo a construção de futuros projetos colaborativos”, afirmou a vice-coordenadora do PPGPSI e professora do Colegiado de Psicologia, Lucivanda Cavalcante Borges de Sousa.

Segundo a docente, a iniciativa também contribui para o fortalecimento dos processos de internacionalização do PPGPSI e da Univasf, por meio da ampliação e consolidação de redes de cooperação com instituições acadêmicas italianas, promovendo a troca de conhecimentos entre diferentes culturas. “A ação reforça o compromisso da universidade com a formação acadêmica de excelência, a internacionalização e o fortalecimento de parcerias institucionais”, concluiu.