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Pesquisa da Univasf amplia debate nacional sobre saúde mental na residência em Medicina Veterinária

publicado: 07/05/2026 12h07 última modificação: 07/05/2026 12h07

Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias no Semiárido (PPGCVS) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que investigou a relação entre habilidades sociais e saúde mental de residentes da área da saúde, deverá ser ampliado para incluir residentes em Medicina Veterinária de diferentes regiões do Brasil. A pesquisa contemplou residentes em Medicina Veterinária de Pernambuco, além de profissionais vinculados à residência médica e a programas multiprofissionais de São Paulo. A ampliação nacional da iniciativa surgiu após a apresentação do trabalho no VII Seminário Brasileiro de Residência em Medicina Veterinária, realizado em abril, em Brasília.

O trabalho, intitulado “Associação entre habilidades sociais e resultados de saúde mental em residentes de ciências da saúde no Brasil”, é resultado do doutorado da pesquisadora Carina Rodrigues da Silva, sob orientação dos professores do PPGCVS Alexandre Coutinho Antonelli e Alexandre Redson Soares da Silva. O estudo foi desenvolvido em cooperação com pesquisadores da The Ohio State University e da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho foi apresentado a coordenadores de programas de residência de todo o país durante seminário promovido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), ocasião em que se discutiu a ampliação do alcance da pesquisa, além da inserção da temática da saúde mental nas discussões nacionais sobre residência em Medicina Veterinária. A partir disso, a proposta de ampliação foi apresentada ao CFMV pelo grupo responsável pelos estudos sobre programas de residência e seus processos de acreditação.

Segundo Carina, a pesquisa teve como objetivo investigar a prevalência de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout, entre residentes das áreas médico-veterinária, multiprofissional e médica. “Mais do que mapear o adoecimento, buscamos compreender como as habilidades sociais e a satisfação com o ambiente de aprendizado atuam como fatores de proteção para esses profissionais”, explica.

A pesquisadora destaca que o estudo parte da compreensão de que a competência técnica, isoladamente, não garante o bem-estar dos residentes. “Focamos em entender as variáveis interpessoais e institucionais que permitem ao residente navegar em ambientes de alta pressão, transformando a prática clínica em um espaço de realização e não apenas de desgaste”, afirma.

Os resultados da pesquisa apontaram um cenário de vulnerabilidade estrutural, com índices elevados de sofrimento emocional, ansiedade, depressão e Burnout, especialmente nas dimensões de exaustão emocional e desumanização. Um dos achados do estudo foi o impacto das condições organizacionais na saúde mental dos residentes.

“Enquanto ambientes positivos favorecem a realização profissional, a subexposição prática, como o baixo número de plantões mensais, pode aumentar o risco de distanciamento emocional, gerando sentimentos de isolamento e desconexão com o propósito da carreira”, ressalta Carina.

A pesquisa também identificou que as habilidades sociais funcionam como um importante fator de proteção contra o estresse ocupacional. Entre os aspectos mais relevantes estão a assertividade, a capacidade de expressar necessidades e estabelecer limites, além de competências relacionadas à comunicação e ao fortalecimento das relações interpessoais.

De acordo com o professor Alexandre Redson Soares da Silva, a ampliação da pesquisa permitirá traçar um panorama nacional da saúde mental de médicos-veterinários residentes. “Poderemos fazer um diagnóstico situacional da saúde mental de médicos-veterinários brasileiros, identificando fragilidades, potencialidades, riscos e necessidades sociais em saúde, de modo a subsidiar tomadas de decisão, priorizar ações e intervir de forma mais assertiva”, afirma.

Carina também ressalta que discutir saúde mental entre residentes de Medicina Veterinária é essencial devido às características da profissão e da formação especializada. “A residência é uma fase de extrema vulnerabilidade estrutural. O sofrimento ético e a exaustão emocional não podem ser vistos como consequências inevitáveis do aprendizado, mas como riscos ocupacionais que precisam ser gerenciados. O objetivo é construir um futuro para as profissões da saúde que seja tecnicamente rigoroso, humano e sustentável”, conclui a pesquisadora.