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Pesquisas sobre maracujás desenvolvidas por estudantes da Univasf são premiadas em evento científico

Amostras utilizadas nas pesquisas.
Três estudantes de Engenharia Agronômica da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) tiveram suas pesquisas premiadas na XX Jornada de Iniciação Científica da Embrapa Semiárido (JICES). Os estudos investigaram a relação de espécies de maracujás com doenças causadas por fungos e suas relações com as plantas quando expostas a diferentes níveis de água. O evento foi realizado na Embrapa Semiárido, em Petrolina, e reuniu 25 trabalhos desenvolvidos por jovens pesquisadores do PIBIC/CNPq.

Os estudantes tiveram como orientador o professor Natoniel Franklin de Melo, pesquisador da Embrapa Semiárido e também professor do Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Produção Vegetal da Univasf. Os discentes também contaram com a orientação da professora Adriana Mayumi, do Colegiado de Zootecnia, durante as atividades realizadas no Laboratório de Microbiologia do Campus Ciências Agrárias (CCA) da Univasf. Os trabalhos foram desenvolvidos de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Maria Flávia Alves Machado, estudante do sétimo período, conquistou o primeiro lugar na categoria apresentação oral com o trabalho “Interação entre acessos de Passiflora cincinnata e fungos micorrízicos arbusculares sob diferentes níveis de disponibilidade hídrica”.
Flávia foi bolsista da Embrapa e estudou como diferentes amostras do maracujá-do-mato (Passiflora cincinnata) e os fungos micorrízicos arbusculares (FMA), associações simbióticas e mutualísticas entre fungos do solo e as raízes da grande maioria das plantas terrestres, reagem a diferentes níveis de disponibilidade hídrica. “O objetivo era entender como essas plantas se associam aos fungos que vivem no solo, avaliando a colonização das raízes e a quantidade de glomerosporos presentes no solo”, explicou a estudante.

Na categoria de pôsteres, Pedro Libório do décimo período ganhou em primeiro lugar com o trabalho “Variação na associação micorrízica entre acessos de Passiflora cincinnata Mast. sob diferentes níveis de disponibilidade hídrica”. Semelhante ao trabalho de Flavia e desenvolvido entre Embrapa e Univasf, o trabalho de Libório também estudou a associação micorrizica em níveis variáveis de acesso à água.
Diferente da sua colega de pesquisa, Libório realizou os experimentos em amostras de Passiflora cincinnata Mast, o Maracuja da caatinga ou maracuja do mato. “Basicamente avaliei como a disponibilidade hidrica e os diferentes genotipos de Passiflora interferem na colonização, numero de esporos e comunidade de FMA presentes no solo”, explicou.
Já Marteovan Sousa, do quarto período, conquistou o segundo lugar na categoria de apresentação oral com a pesquisa “Caracterização integrada de Passiflora luetzelburgii: citogenética, viabilidade polínica, micorrização e resposta à fusariose”. O estudante procurou caracterizar a espécie Passiflora silvestre, conhecido como maracujá-mirim, que segundo o discente, possui poucos registros na literatura, mas tem potencial para uso em programas de melhoramento genético do maracujazeiro. Divididas em duas etapas, a pesquisa foi feita na sede da Embrapa Semiárido e no CCA.

Na Embrapa foram realizados os testes de cito genética, em que se utiliza o meristema apical das raízes da espécie e passa por um processo com corantes específicos e por fim a observação em microscópio. Também foram feitas as analises de viabilidade de pólen. Já no CCA foi montado um experimento com mudas dessa Passiflora e inoculadas com fungos micorrizicos arbusculares (fungos benéficos às plantas) e posteriormente alguns tratamentos receberam inoculo de Fusarium (fungo patogênico), a fim de entender as respostas fisiológicas dessas plantas frente a esses inoculos e se a pré-inoculação com FMA possibilitava a essa espécie uma maior resistência a fusariose (doença causada pelo Fusarium). Foi realizado de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Segundo Flávia, a experiência com a pesquisa foi muito importante sua formação. “Aprendi na prática, enfrentei desafios e entendi melhor como é fazer pesquisa”, disse a estudante. Já para Souza, a premiação significa um importante reconhecimento de todo trabalho realizado. “Um incentivo a continuar desenvolvendo projetos de pesquisa que tragam conhecimento e soluções para agricultura no semiárido”, completou.
Para Adriana, professora presente em todo o processo de estudo com os discentes, as contribuições das pesquisas são significativas para o desenvolvimento acadêmico da região, e considera participação dos estudantes fundamental. “Quando estas apresentações resultam em premiação dos estudantes, principalmente dos envolvidos na Iniciação Científica, há um forte sentimento de que o trabalho desenvolvido possui qualidade e que a dedicação despendida foi reconhecida, trazendo novo estímulo à investigação”, enfatizou.
