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Univasf celebra 22 anos de uma história construída junto com o povo sertanejo

publicado: 18/10/2026 12h01 última modificação: 18/10/2026 12h10
Juciane Aleixo e Renata Freitas

Enquanto nascia uma Universidade encravada no coração do sertão, com duas unidades na divisa de Pernambuco e da Bahia e uma terceira nas proximidades da Serra da Capivara, no Piauí, surgia também a oportunidade de os sertanejos permanecerem em sua terra natal para cursar o ensino superior numa Instituição Federal e produzir conhecimento, ciência e inovação, contribuindo, assim, para o desenvolvimento desses territórios. Foi no ano de 2004, no dia 18 de outubro, uma típica segunda-feira ensolarada na região de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), que a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) realizou sua Aula Inaugural, no Teatro do Sesc, em Petrolina (PE), dando início às suas atividades acadêmicas e prosseguimento à história originada com sua criação pela  Lei N° 10.473/2002.

Vinte e dois anos já se passaram desde aquele evento inaugural e, ao longo de todos esses anos, muitas histórias nesse interior do Nordeste se entrelaçaram com a trajetória da Universidade. Hoje, a Univasf vivencia a alegria de celebrar mais um aniversário com toda a comunidade acadêmica, dividindo as inúmeras conquistas e se preparando para os novos desafios que a maturidade institucional trará. Mas entre todos os membros da comunidade acadêmica, há dois estudantes, em especial, que compartilham a coincidência de terem nascido na mesma data em que a Univasf dava seus primeiros passos.

Do outro lado do rio São Francisco, na cidade de Juazeiro, naquele 18 de outubro de 2004, nasceram Ana Flávia Costa Barbosa e Erick Antonio de Ataides Sousa, os primeiros filhos de duas famílias da região, que desde 2024 são discentes da Univasf. Ela, estudante de Educação Física, no Campus Sede, em Petrolina. Ele, estudante de Engenharia Elétrica, no Campus Juazeiro. Se os destinos estavam traçados com a Univasf desde a maternidade não é possível saber, mas o fato é que a cada aniversário eles compartilharão essa alegria com a Universidade onde escolheram estudar e se preparar para iniciar suas jornadas no mundo profissional.

Fazemos uma homenagem à Univasf por meio da história desses dois jovens, que, assim como a nossa também jovem Instituição, estão iniciando a vida adulta com muita energia e boas expectativas de um futuro promissor iniciado lá atrás, em outubro de 2004.

Ana Flávia e o sonho de estudar na Univasf

 
Ana Flávia: paixão por musculação e pelo curso que escolheu.

Primeira pessoa da família a ingressar em uma universidade federal, Ana Flávia Costa Barbosa cresceu na zona rural de Petrolina, no Projeto Muquém, onde, desde criança, alimentava o sonho de estudar na Univasf. Hoje, ela cursa o 6º período de Educação Física e celebra a coincidência especial de fazer aniversário no mesmo dia em que a Instituição.

“Desde criança, sonhava em me formar na Universidade Federal do Vale do São Francisco e, quando passei, foi um sonho realizado. Agora, sabendo que completamos a mesma idade no mesmo dia, acredito que é destino”, conta, entre risos.

A trajetória até a Universidade foi construída na escola pública. Ana Flávia cursou o ensino fundamental na Escola Manoel Nunes Barbosa, na comunidade de Poço da Cruz, e o ensino médio no Colégio Otacílio Nunes de Souza. Embora tenha estudado durante toda a vida na rede pública, ingressou na Univasf pela modalidade de ampla concorrência, em 2024.

A escolha pela Univasf foi motivada pela qualidade do ensino e pela possibilidade de cursar uma graduação em uma instituição pública próxima de casa, sem que os custos de uma faculdade particular pesassem no orçamento familiar. “Lá em casa, somos em cinco, e meus pais não teriam condições de manter uma faculdade para mim. Então, desde criança, sempre soube que teria que entrar em uma federal, caso quisesse uma graduação”, explica.

Apaixonada por musculação, Ana Flávia escolheu Educação Física por afinidade com a área, mas descobriu, ao longo do curso, outras possibilidades de atuação profissional. As experiências práticas com crianças, por exemplo, despertaram seu interesse por um campo com o qual também se identifica.

A rotina, no entanto, exige esforço. Entre o trabalho, as responsabilidades com a casa e os estudos, há dias em que Ana Flávia pensa em desistir. Ainda assim, estar na Universidade renova sua disposição para continuar. “Tem dias em que vou pensando em desistir, pela rotina exaustiva de trabalhar, manter casa e estudar, mas, ao chegar na Universidade, o coração fica tranquilo”, afirma.

Mais do que a formação acadêmica, a estudante destaca as mudanças pessoais proporcionadas pela vida universitária. Tímida e com dificuldade para falar em público, ela conta que a convivência na Universidade a ajudou a superar medos, experimentar novas possibilidades e ampliar sua visão de mundo.

“Amadureci muito após entrar na Univasf. Vivenciei experiências que nunca imaginei, saí da bolha e da zona de conforto em que vivia. Fiz amizades que nunca soltaram minha mão e fiz coisas que sempre tive vontade, mas não fazia por falta de coragem. A Universidade mudou minha mente em todos os sentidos”, conclui.

 

Erick Sousa e a empolgação com o conhecimento e a ciência

 

Erick Sousa: rotina com atividades de ensino e extensão. 

Foi movido por seu interesse em matemática, automação e energias renováveis que Erick Antonio de Ataides Sousa escolheu cursar Engenharia Elétrica na Univasf. Aprovado pelo Sisu como cotista de escola pública, ele ingressou na Universidade em 2024, depois de ter concluído o curso de Eletrotécnica, no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE).

A motivação para cursar essa área, considerada muito difícil por grande parte dos estudantes, veio da convivência com um tio, que atuava como engenheiro numa concessionária de energia elétrica e dividia com o sobrinho histórias sobre seu trabalho. As aulas com um professor do IFSertãoPE, egresso do curso de Elétrica da Univasf, também contribuíram para a decisão de fazer essa graduação.

Superadas algumas dificuldades nos primeiros períodos com a participação em cursos de tutoria ofertados pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen), Erick Sousa conseguiu fortalecer sua base de conhecimentos, especialmente em Matemática, e segue firme no curso. “Quando a gente entra numa universidade no nível da Univasf percebe que tem que ser organizado, porque se não for vai ter problemas para acompanhar”, conta, mas revela que ainda está aprendendo a lidar com a exigente rotina de estudos. 

Sousa é da geração que passou pelo ensino médio durante a pandemia de Covid-19, o que ele acredita ter gerado alguns prejuízos para sua formação básica. “Mas eu gostava muito de Ciências”, lembra. Filho de uma técnica de enfermagem e um eletrotécnico que fez o curso por incentivo do filho, Sousa tem um irmão que está no 1º ano do ensino médio e a quem ele, agora, ajuda nos assuntos de Física e Matemática. Para o futuro, faz planos de atuar em outros projetos da Univasf e já pensa em atuar com gestão de equipes na área de engenharia ou se tornar professor.

Sobre a coincidência na data do seu nascimento com a Univasf, curiosidade que ele desconhecia até a realização dessa reportagem, lembrou-se das aulas de probabilidade do professor Paulo Pereira, do Colegiado de Engenharia de Produção. “Não é sorte. É uma questão de probabilidade”, comenta.

Mas sua relação com a Univasf, que começou na já mencionada data de nascimento, se aproximou um pouco mais no início da adolescência, bem antes do ingresso na graduação. Na época, Sousa participou do projeto de extensão Descobrindo Talentos em Matemática, que preparava estudantes da região para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).  

Hoje, o universitário se diz satisfeito com sua escolha tanto pelo curso superior quanto pela Instituição de ensino. “A Univasf mostra que o caminho do conhecimento traz muitas vantagens não só pela formação, mas porque o conhecimento e a ciência são muito empolgantes”, afirma.