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Univasf desenvolve projeto para incentivar doação de corpos para ensino e pesquisa
![]() Bruna Koike fala os ingressantes de Medicina do Campus Sede. |
Informar, esclarecer dúvidas e promover um diálogo responsável sobre a doação de corpos para fins de ensino e pesquisa é a proposta do projeto de extensão “Corpo que Ensina: a doação de corpos para fins científicos como ato de ética e humanidade”, da Universidade Federal do Vale do São Francisco. A iniciativa tem como objetivo conscientizar a população do Vale do São Francisco sobre a importância da doação voluntária de corpos para fins científicos. O projeto prevê a realização de uma campanha de informação e sensibilização, reunindo universidade, hospitais e sociedade civil para ampliar o acesso da população a informações sobre os aspectos legais, éticos e científicos da doação pós-morte.
Para dar início às atividades do projeto, foi realizada a capacitação dos estudantes envolvidos por meio de uma parceria com representantes da campanha de doação de corpos da Universidade de Pernambuco e com o técnico responsável pelo Laboratório de Anatomia da Univasf. Além disso, a primeira ação da iniciativa dentro da universidade já está em andamento, com a apresentação da proposta aos estudantes ingressantes e a realização de uma aula sobre ética e legislação relacionadas ao estudo científico de cadáveres e anatomia.
Entre as demais ações previstas estão palestras, rodas de conversa e a produção de materiais educativos, que serão realizados em escolas, unidades de saúde e espaços públicos ao longo de 12 meses. De acordo com a proposta, a doação de corpos tem papel fundamental na formação de profissionais da área da saúde. O estudo anatômico é considerado um dos pilares do ensino, permitindo o desenvolvimento de habilidades técnicas, a realização de pesquisas e o aprimoramento de práticas clínicas.
“A doação de corpos é um gesto profundamente humano, que contribui diretamente para a formação de profissionais mais preparados e para o avanço da ciência. Mas, para que isso aconteça de forma ética, é essencial que as pessoas entendam seus direitos, os aspectos legais e, principalmente, que se sintam respeitadas em suas crenças e decisões”, afirma a coordenadora do projeto, a docente do Colegiado de Medicina Bruna Del Vechio Koike.
O projeto também busca esclarecer dúvidas da população sobre o processo de doação, incluindo etapas como a manifestação de vontade do doador, a documentação exigida e os procedimentos previstos na legislação brasileira. Além de informar, a iniciativa pretende estimular o debate sobre temas como morte, dignidade humana e solidariedade, contribuindo para a redução de tabus ainda associados ao assunto.
Para a professora Bruna, discutir a doação de corpos para fins científicos ainda representa um desafio, pois a sociedade tende a evitar conversas relacionadas à morte. “Só que justamente por isso esse debate é tão importante. Quando abrimos espaço para conversar, explicar e ouvir, conseguimos transformar um assunto cercado de medo em uma escolha consciente e informada”, comenta.
Como resultado, a proposta busca fortalecer uma cultura de doação voluntária e contribuir para a formação de profissionais mais qualificados, com impacto na qualidade do atendimento em saúde oferecido à população. “Promover esse diálogo é, no fundo, aproximar a ciência da sociedade, reduzir tabus e reconhecer que, mesmo após a morte, o corpo pode continuar gerando conhecimento, cuidado e impacto positivo na vida de outras pessoas”, ressalta Bruna.
Os materiais educativos produzidos pelo projeto poderão ser acessados por meio do perfil no Instagram @cqe_univasf. As pessoas interessadas em manifestar o desejo de doar o próprio corpo podem entrar em contato com a equipe do projeto por mensagem privada no Instagram, pelo e-mail anatomiaunivasf@gmail.com ou pelo telefone e WhatsApp (87) 99113-6231.
Mais informações sobre o projeto e sobre os procedimentos relacionados à doação de corpos podem ser obtidas pelos mesmos canais de atendimento.

