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Univasf inaugura Sala de Autorregulação para estudantes com TEA no Campus Ciências Agrárias

publicado: 02/09/2026 15h13 última modificação: 02/09/2026 15h13

A nova sala tem ambientes de estudo, descanso e alimentação, visando ao bem-estar dos estudantes com TEA.

A permanência no ensino superior ainda representa um grande desafio para muitos estudantes, especialmente para aqueles com deficiências físicas ou neurodivergências. Para contribuir com a permanência de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Campus Ciências Agrárias (CCA), a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) conta, a partir de agora, com a Sala de Autorregulação, um ambiente planejado para que eles possam se autorregular durante a rotina acadêmica. O novo espaço foi inaugurado na manhã da segunda-feira (31), com a presença de servidores e estudantes.

Localizada ao lado do Restaurante Universitário (RU) do CCA, a sala oferece três ambientes: áreas de descanso, estudo e alimentação. Com cores suaves e referências à fauna e flora da Caatinga, assim como ao rio São Francisco, a Sala de Autorregulação proporciona um ambiente tranquilo e seguro para que os discentes possam lidar com sobrecargas sensoriais, crises emocionais ou forte estresse. O espaço é destinado aos estudantes com TEA, aos seus acompanhantes, cuidadores e profissionais que lhes prestam apoio. O CCA possui oito estudantes com TEA matriculados nos cursos de graduação no período letivo 2026.2.

A ideia de criação da Sala de Autorregulação foi da artista Isabela Rodrigues, mãe do estudante Davi Rodrigues Gaudie, que ingressou no curso de Ciências Biológicas no semestre passado. Davi, que agora está cursando o 2º período, disse que a sala será importante para ele conseguir cumprir a carga horária integral do curso nos dias em que está na Universidade. “Geralmente é muito cansativo ficar o dia inteiro na Univasf. Então, essa sala é muito boa mesmo. Vai me ajudar muito”, afirmou.

A concepção do novo ambiente foi feita a muitas mãos desde o princípio. As discussões começaram no final de março durante reunião com a presença do coordenador e vice-coordenador do Colegiado de Ciências Biológicas, Marlos Gomes Martins e Diego César Nunes Silva; da diretora de Desenvolvimento e Inovação Acadêmica da Pró-Reitoria de Ensino (Proen), Virgínia Passos; da coordenadora Pedagógica da Proen, Márcia Andréa de Souza Silva; dos servidores do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), Maria de Fátima Paixão e Getro Reis; além da professora Isabela Rodrigues e do reitor.

“A sala se tornou realidade por causa da união de diversos setores da Universidade”, afirmou Isabela Rodrigues, que também é professora da Instituição e atua no Colegiado de Artes Visuais (Cartes), no Campus Juazeiro. Isabela destacou o apoio da Reitoria, Pró-Reitorias de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Propladi) e de Assistência Estudantil (Proae), Prefeitura Universitária (PU) e Departamento de Manutenção (Deman), NAI e de alguns Colegiados Acadêmicos, entre eles o Colegiado de Ciências Biológicas.

O projeto contou com a colaboração do também professor do Cartes Sérgio Bonilha e da esposa dele, a artista Luciana Ohira. Eles desenharam o espaço, os murais e fizeram o design dos móveis, com linhas adequadas às necessidades das pessoas com TEA. Os animais e a vegetação que fazem parte da ambiência foram contribuições da professora Cristiane Dacanal, do Colegiado de Engenharia Agronômica. Os docentes ainda contaram com o talento dos estudantes de Artes Visuais Alex Sandro de França e Camila Santos, que pintaram a sala.

O trabalho de planejamento e execução do projeto levou pouco mais de três meses. “Relacionamos a ambiência do espaço ao bioma, com representações que são uma continuação desse ambiente onde o estudante está inserido”, comentou o professor Sérgio Bonilha.

A equipe do NAI acompanhou toda a concepção e execução do projeto da nova sala. “Além de cumprir o objetivo a que se propõe, essa sala tem uma representatividade do que de fato vem a ser inclusão. Esse espaço representa autorregulação, acolhimento e carrega a representatividade, na Instituição, do que, de fato, deve ser inclusão. Algo que todos fazem”, ressaltou a diretora do NAI, Karla Daniele Maciel Luz.

O reitor Telio Leite destacou a importância do novo espaço para a inclusão dos estudantes na Universidade. “Temos o compromisso de receber bem nossos estudantes e temos recebido cada vez mais estudantes na Univasf, com toda a diversidade que existe na nossa região e no país, mesmo com tantos desafios. Mas a gente só consegue superar esses desafios com trabalho colaborativo, com parcerias, como é o caso dessa sala de autorregulação sensorial”, disse o reitor.

Ele também enfatizou a importância da professora Isabela Rodrigues para a criação do novo espaço, movida pelo desejo de ver seu filho permanecer na Univasf. “Há um esforço institucional para fazer as coisas acontecerem, mas só conseguimos fazer isso com mobilização das pessoas. Essa é nossa principal fonte de recursos: a vontade das pessoas da nossa Instituição de fazer as coisas acontecerem. E a professora Isabela tem um papel fundamental na concretização dessa nova sala”, afirmou.

Também chamada de sala de regulação sensorial e emocional, a Sala de Autorregulação é um ambiente acolhedor e seguro, cujo propósito é ajudar pessoas neurodivergentes a lidar com os desafios de sobrecargas sensoriais e gestão de crises emocionais. A sala do CCA é a primeira implantada na Univasf.  A ideia é instalar outras Salas de Autorregulação em outros campi da Instituição futuramente.

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