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Univasf realiza abertura dos cursos de formação para estudantes quilombolas e ciganos

publicado: 06/11/2026 17h44 última modificação: 06/11/2026 17h44

Evento reuniu estudantes, gestores da Univasf e representantes do Ministério da Igualdade Racial. 

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) realizou, na tarde da quarta-feira (4), a solenidade de abertura dos dois cursos de formação voltados a povos e comunidades tradicionais: “Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola” e “Participação e Controle Social para Lideranças Ciganas”. As formações atendem a 70 estudantes quilombolas e ciganos e são promovidas por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com apoio da Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (Fadex). A solenidade de abertura aconteceu no Espaço Plural, em Juazeiro (BA).

O evento contou com a presença do reitor Telio Nobre Leite; da vice-reitora Lucia Marisy de Oliveira; do secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos do MIR, Ronaldo dos Santos; do diretor de Políticas para Quilombolas e Ciganos, Fabiano Campelo Bechelany; e da coordenadora-geral de Políticas para Povos Ciganos, Edilma do Nascimento Souza; e do diretor de Arte, Cultura e Ações Comunitárias da Proex, Thiê Gomes, representando a pró-reitora Michelle Vieira. A solenidade, que também teve a participação do músico Ivan Gregg, está disponível no canal da TV Caatinga no YouTube.

As duas formações são ofertadas no âmbito da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola e o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos. O curso de Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola reúne 40 estudantes de comunidades quilombolas de Pernambuco, da Bahia e do Piauí. A formação tem como objetivo fortalecer as capacidades das comunidades para a gestão de seus territórios, a proteção ambiental e a promoção de sua autonomia.

A aula inaugural dessa formação foi ministrada pelo secretário Ronaldo dos Santos e pelo diretor Fabiano Campelo Bechelany após a solenidade de abertura. Eles falaram sobre a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. O secretário destacou, durante o evento, a importância das duas formações e da parceria com a Univasf, que ele pretende levar como modelo para ações com outras instituições de ensino do país visando ao fortalecimento da formação de pessoas das comunidades tradicionais.

Entre os estudantes do curso estão Aurenita Gomes da Silva e Maria Eduarda Angelim da Silva, respectivamente tia e sobrinha, que são da comunidade Quilombola Cruz dos Riachos, de Cabrobó (PE). Aurenita é diretora da escola Municipal Quilombola Manoel Joaquim de Moraes e aposta no aprendizado e nas trocas que o curso irá proporcionar para levar novos conhecimentos para sua comunidade.

Já Maria Eduarda, estudante de Farmácia no Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco (Cesvasf), em Belém do São Francisco (PE), está entusiasmada com a oportunidade de adquirir novos saberes durante a formação. “Não basta ser, tem que se posicionar e levar seu quilombo para vários lugares”, disse a jovem, que tem participado de eventos como liderança jovem quilombola representando sua comunidade na defesa de seus direitos. Além das duas, outras três pessoas da comunidade Cruz dos Riachos estão participando da formação.

Durante a solenidade, a vice-reitora Lucia Marisy afirmou que os cursos têm o objetivo de fortalecer as comunidades e preparar os participantes para contribuir ativamente para a construção de ações e políticas públicas direcionadas às comunidades tradicionais do país. Ela também anunciou a realização do mestrado em Arqueologia, a ser ofertado para comunidades quilombolas no Campus Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI), em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Incra), por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

O reitor Telio Leite ressaltou que o papel da Universidade é atuar para transformar a sociedade. “A gente tem que ter um olhar todo especial e dedicado àquelas populações que precisam que essa política pública chegue com mais intensidade. As Universidades públicas estão aqui para trazer mais educação, mais ciência, mais democracia e mais cidadania. Esse é o nosso papel. São inciativas como essa que dão todo significado à educação pública brasileira”, disse o reitor.

O Curso de Participação e Controle Social para Lideranças Ciganas teve sua Aula Inaugural realizada na manhã da quinta-feira (5). Essa formação conta com 30 estudantes na turma e visa preparar as lideranças para atuar na defesa de direitos, na participação social e no diálogo com as políticas públicas. A aula inaugural foi ministrada pela coordenadora-geral de Políticas para Povos Ciganos, Edilma do Nascimento Souza, que é professora do Colegiado de Antropologia da Univasf e está cedida ao MIR. A aula também foi transmitida pela TV Caatinga e pode ser acessada em seu canal no YouTube.